Óbidos, Casa das Rainhas
2015

Em 2015, este evento viajou por outros tempos da história, nos quais as rainhas eram mandantes.
Nos tempos medievos, foi sob a administração e cuidado das Rainhas de Portugal que Óbidos conheceu os seus tempos áureos.
A relação da vila de Óbidos com as Rainhas está documentada desde que D. Afonso II, por escritura a 7 de Dezembro de 1210, a doou à rainha D. Urraca. Outras rainhas se seguiram, por exemplo: D. Isabel recebe a doação da vila depois do casamento com D. Dinis, e a esta rainha se deve um dos legados mais profícuos; está ligada também a D. Leonor Teles, que foi, talvez, a rainha que mais poderes teve sobre Óbidos; D. Leonor de Lencastre, é a rainha a quem, provavelmente, se deve o considerável enriquecimento do património artístico e a fundação da Misericórdia.
Desde o momento do seu matrimónio, as rainhas de Portugal gozavam de rendas próprias, obtidas através da jurisdição sobre determinadas vilas, entre elas: Óbidos, Sintra, Torres Vedras e Torres Novas. A governança dessas vilas e territórios era recebida por altura do seu casamento “propter nuptias” e era uma forma de arras que deveriam manter a Rainha e a sua Casa. Os poderes da Rainha eram plenos, tendo direitos, rendas e pertenças.
Durante 12 dias, a vila festejou este facto. Guardada pela poderosa muralha, encimada por ameias, entre homens de armas, damas, mendigos e leprosos, mercadores, artesãos e feiticeiros, sentiu velhos aromas e sabores, manjares de outras épocas, regados pelas melhores colheitas da região, numa corte em festa, com reis e rainhas, onde a música reinou e a animação se encontrava a cada esquina.

Maior aposta na animação de rua
O Mercado Medieval de Óbidos voltou a juntar grupos de dança e de animação locais e coletividades do concelho, para dinamizar as tabernas, e houve mais mercadores espalhados por todo o recinto. Abriu portas, ao som dos Goliardos e Cornalusa seguido do cortejo inaugural, e de torneios, música, teatro e espetáculos de fogo.
Nesse ano foi mantido o enfoque na música, mas com a novidade de uma maior aposta na animação de rua. “Queremos que o público que vem vários dias possa ver espetáculos diferentes”, disse Ricardo Ribeiro, administrador da Óbidos Criativa.
Ao todo, foram 24 os grupos que garantiram a animação, entre música, teatro, saltimbancos, magia e dança. A animação foi também reforçada pelas associações locais que participam, como, por exemplo, a Guarda do Alcaide de Óbidos, que fez o acampamento militar, com demonstrações de vários ofícios civis e militares da época; ou a Associação Josefa d’Óbidos, que além da habitual presença com as danças medievais, é também responsável pelo aluguer de trajes medievais aos visitantes. A área da restauração foi garantida por 19 tabernas de associações e colectividades do concelho de Óbidos.

“Foram 12 dias muito intensos”
Segundo a organização do Mercado Medieval de Óbidos, a empresa municipal Óbidos Criativa, a edição de 2015 teve um nível de satisfação muito elevado por parte dos visitantes, mercadores e comunidade local. “A organização está muito satisfeita com esta edição”, avança Ricardo Ribeiro, administrador da empresa municipal. O responsável destacou “o conjunto de espetáculos muito grande e, acima de tudo, muito diversificado” que houve durante o evento, não só no palco principal, como noutros locais do evento. Ricardo Ribeiro garantiu mesmo que foi o “maior número de espetáculos que houve em todas as edições do Mercado Medieval de Óbidos. O palco principal esteve permanentemente cheio, com um nível de participação muito elevado, assim como os torneios, por exemplo, estiveram sempre com assistência esgotada”. O administrador afirmou que “foram 12 dias muito intensos”, tendo havido, em todos os dias do mercado, “mais visitantes do que no período homólogo do ano passado”. Ricardo Ribeiro afirmou ainda que, apesar da redução de um fim-de-semana, passando de 16 para 12 dias, “numa lógica de otimização de recursos, (…) tivemos sempre mais visitantes e as próprias coletividades acabaram por ter bons resultados”.

Fontes
Silva, Manuela Santos, A região de Óbidos na Época Medieval. Estudos, Património Histórico, Grupo de Estudos, Caldas da Rainha, 1994.
Silva, Manuela Santos, Óbidos e a sua região na Baixa Idade Média, Dissertação de Doutoramento em História Medieval apresentada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1996 (versão original policopiada).
Silva, Manuela Santos, Óbidos Medieval. Estruturas Urbanas, e Administração Concelhia, Patrimonial, Cascais, 1997.
Silva, Manuela Santos, Os primórdios da casa das rainhas de Portugal in Raízes Medievais do Brasil Moderno, Lisboa, Academia Portuguesa de História, 2008, pp.27-41.
Silva, Manuela Santos, Memórias escritas do castelo e das muralhas de Óbidos in Isabel Cristina Ferreira Fernandes (coord), Fortificações e Território na Península Ibérica e no Magreb (Séculos VI a XVI) – Volume I, Edições Colibri/Campo Arqueológico de Mértola, 2013, pp. 101 e 104.
Vilela, Ana Luísa, Santos, Elisa Nunes, Silva, Fábio Mário da, Reffoios, Margarida, A construção coeva da imagem de Filipa de Lencastre como uma “Santa Rainha, Representações do mito na História e na Literatura, Universidade de Évora, 2014, pp.137 e 147.
Rodrigues, Ana Maria S. A., Silva, Manuela Santos, Sá, Isabel dos Guimarães, Rainhas de Portugal, 18 volumes, Lisboa, Círculo de Leitores, 2011-2014.
Tinta Fresca, Jornal de Arte, Cultura & Cidadania – jornal online – 7 Julho 2015
Gazeta das Caldas – Jornal regional – 10 Julho 2015
Press Release Gabinete de Comunicação e Imagem Município de Óbidos – 15 Agosto 2015

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