FOGO DA PAIXÃO
Na sociedade medieval, o sentimento e o “fogo da paixão” são associados a alguns dos prazeres carnais que eram subjacentes à sociedade de época, muito envolta numa rede de meretrizes e concubinas. A sociedade regia-se por regras e linhagens de casamentos pré-acordados, levando a que a concepção sobre o amor fosse bem diferente, obrigando a estes “mecanismos de fuga”, que existam sobretudo na vida citadina da época.
A história relata um excelente exemplo desta dimensão quando falamos dos “amores proibidos” de D. Pedro e Inês de Castro, que procuraram viver a sua paixão fora das leis e regras da sociedade medieval.

FOGO DAS BRUXAS
Ar, Fogo, Terra e Água constituem-se como os elementos primordiais nas simbologias e representações em que assenta os princípios da bruxaria no período medieval.
Estes quatro elementos, na sua relação direta entre a Natureza, Sol e Lua, são os fundamentos que pautam os ritos executados por estes feiticeiros e feiticeiras na Idade Média, e onde o fogo se constitui a base da transformação e realização dos rituais, sendo considerado o elemento mais forte e transformador, razão pela qual foi visto como a única forma de aniquilar as bruxas durante da Inquisição.

FOGO NOVO
Até ao século XIII, o mundo medieval é marcado por uma visão maniqueísta, dividida entre Bem e o Mal, Céu e Inferno, onde o fogo representa o Inferno. Com a introdução da ideia de Purgatório, uma nova simbologia e significação é-lhe atribuída: o Fogo Novo, elemento purificador e de libertação das almas. Este fogo aparece nas celebrações do Tríduo Pascal, sinal de purificação, onde se acende o círio pascal, uma grande vela cuja chama é sinal de Cristo Ressuscitado.

FOGO DA GUERRA
Na arte da guerra, o fogo é essencial como arma incendiária, em momentos de Cerco, em campo aberto.
Através da neurobalística que, com engenhos como o arco, a besta e a catapulta, usava uma mistura que mantinha a chama acesa, mesmo a grande velocidade, era possível causar grandes incêndios nos castelos.
A introdução da pirobalística e da pólvora levou à criação de novas armas e estratégias de guerra revolucionando a arquitectura medieval castelar. O fogo além de tudo destruir, impunha uma visão tenebrosa e destrutiva de grandes dimensões.

FOGO DA PUNIÇÃO
Punir e renovar. É assim que o fogo nos aparece em relatos históricos e religiosos; por um lado, um dos recursos da justiça divina para todos aqueles que pecaram; por outro, força da natureza que renova o cenário pelo qual passa. Desta forma, o mesmo elemento que destrói é o mesmo que purifica. Podemos ver isso bem descrito nos relatos das condenações do Santo Ofício onde a pena final era ‘arder na fogueira’ – a qual ocorreu com Joana d’Arc e tantas outras mulheres acusadas de bruxaria na Europa Medieval.

FOGO, FESTA E FOLGANÇAS
As crónicas de D. João I , D. Pedro e D. Fernando são ricas nas referências ao fogo enquanto elementos de rito cerimonial, seja religioso, nas cerimónias fúnebres, seja em momentos de festa com a chegada do rei à capital onde “se transforma a noite no dia”, demonstrando o fogo como ostentação de poder.
O fogo exigia o uso da imaginação num jogo de duas simbologias: a primeira inclui comparações com o céu, as estrelas e a luz do dia, inseparáveis de uma fantasia de dispersão das trevas; a segunda invoca imagens de destruição e de guerra, aproveitando as inquietações do povo. Ambas constituem um imaginário do fogo ao serviço do poder.

FOGO DA VIDA QUOTIDIANA
Nos tempos medievos, o fogo representa um elemento essencial na vida quotidiana, seja pela iluminação nas ruas e dentro das casas, seja pelo calor que gera possibilitando aquecer nas noites frias de Inverno, seja pela sua importância na confecção dos alimentos, tornando-se uma ferramenta essencial para a sobrevivência do homem.
Devido ao elevado número de materiais inflamáveis no campo e na cidade medieval, os cuidados e preocupações dos reis e senhores são evidentes em inúmeras crónicas, levando a existência de um corpo de vigilantes que faz a supervisão dos locais onde o fogo era mantido em permanência.